quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Missão dada é missão cumprida

Que o filme Tropa de Elite provocou uma série de discussões, isso é um fato. A menor delas, convenhamos, foi sobre até onde vão limites daqueles que pirateiam filmes. Se fosse só por isso, já poderia ser considerado um tremendo sucesso. Melhor ele é, então, quando alguns dizem que a história é fascista e faz apologia ao crime.
Filme bom é aquele que gera debate.
Diria que esses crucificadores do José Padilha moram na Tijuca e têm seus Rolex roubados a cada sinaleiro (agora virei eu o fascista). Mas, oras bolas, quem não enxerga que, no fundo, Tropa de Elite é um drama daqueles mais profundos?
Confesso que demorei um bom tempo para assistir ao filme brasileiro de maior sucesso dos últimos anos. E fui ao cinema sedento por sangue, mortes e sacos na cabeça (admito que são esse tipo de filmes que me impedem de sair por aí atirando em estudantes e velhinhas – preciso assistir a um deles a cada mês para manter a sanidade mental em níveis estáveis). E, chegando lá, o que percebo? Um homem com sérios problemas de personalidade e que faz o possível para não descontar toda sua angústia no exercício do emprego. E isso é muita coisa se considerarmos que ele trabalha em tempo integral com um fuzil carregado numa mão e uma granada militar em outra.

Capitão Nascimento tem uma esposa em casa e precisa todos os dias subir nos morros cariocas atrás de bandidos. Pior: ela espera um filho seu. Se fosse comigo... Bem, se fosse comigo é melhor nem pensar. O fato é que o cara é um guerreiro, e não só por suas missões de guerra. Ele é guerreiro de conseguir viver o eterno dilema de atirar ou não atirar, de voltar ou não voltar para o conforto do lar, de salvar a vida ou salvar a pele. Não é à toa que uma confusão mental se instala na cabeça do capitão.
Agora eu pergunto: tem como retratar a realidade do Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa, sem mostrar drogas, tiros ou traficante? Copacabana é para turistas. Corcovado, Pão de Açúcar, Maracanã? Tudo casa de turistas. Carioca de verdade vive nos morros e nas suas imediações. E posso até mesmo me dar ao luxo de generalizar: é uma maioria tão grande que a margem de erro fica em poucos pontos percentuais para mais ou para menos. A realidade é mais dura que a praia da Barra, companheiro.
Tropa de Elite mostra isso. Mostra a realidade. Talvez por isso alguns o chamem de fascista. Mas o Brasil é guerra, o Rio está em guerra e a realidade é para ser mostrada. Não gostou do filme? Pede pra sair, parceiro.
Eu não podia ficar sem essa.

Um comentário:

A. Fleury disse...

Concordo com muita coisa que você disse. Mesmo não tendo assistido ao filme ainda, sei muito sobre a história e concordo com seu ponto de vista. Já ouvi dizer que é um filme que enaltece a imagem da polícia, querendo desfarçar as atrocidades que esta provoca. Poxa, tá no nome do filme: TROPA DE ELITE. Aquela sim é uma polícia de verdade, que age de forma mais objetiva do que estas civis e militares que subordinam-se à propina e dão cacetadas em quem lhes interessa.

Bom texto!