quarta-feira, 27 de junho de 2007

Escrete canarinho

É execrável o que estão fazendo com o futebol brasileiro. Jogador de futebol no Brasil virou commodity, produto de exportação. Estão roubando a identidade nacional!
E não é de hoje. Eu, por exemplo, sou de uma geração que vibra quando vê um atacante do seu time marcando pela seleção. Foi-se o tempo que times abarrotados de craques como Flamengo ou Santos eram a base do escrete canarinho (eu sempre quis escrever "escrete canarinho" – este é o motivo desta crônica).
A tendência é que em poucos anos o torcedor brasileiro perca o apego pela seleção. Ninguém mais vai conhecer os jogadores que os representam perante o mundo! Logo a seleção... Esse caso raro de paixão unânime, um dos poucos divertimentos do nosso povo tão sofrido.
E isso já vêm acontecendo, vide Afonso ou Daniel Alves. Deste ainda é (pouco) memorável sua passagem como revelação do Bahia, há uns quatro anos, mas de Afonso nem o mais fanático torcedor do Atlético-MG talvez se lembre. De lá ele saiu com 17 anos para jogar na Suécia. E da Suécia para o mundo: hoje está no expressivo Heerenveen, da Holanda.
Sem medo de represálias, culpo Falcão e Evaristo de Macedo por isso que acontece. Foram eles pioneiros na moda de deixar o Brasil para brilhar em outros países. Porque Falcão preferiu virar o "Rei de Roma" ao invés de ser o "Príncipe dos Pampas"? É muita ambição, muito egoísmo. Jogador deveria pensar menos em si mesmo e mais no povo que ele representa. Uma pessoa, a partir do momento que se torna referência na vida de alguém, deixa de ser apenas um indivíduo para virar uma representação da sociedade.
Muito mais nobre, mas nem todos pensam assim.
Imagine a seleção atual com seus jogadores atuando ainda em território nacional: Hélton pegando todas no Vasco da Gama; Juan salvando a zaga do Mengão, com Gilberto correndo pela lateral esquerda; Alex, Elano, Robinho e Diego ainda brilhando no Santos; Gilberto Silva – e, vá lá, Afonso – dando um jeito no Galo-mais-lindo-do-mundo. Enfim, haveria identidade. O povo ia torcer para o Brasil não pelo orgulho de ter estrelas cobiçadas no mundo todo na equipe. O povo ia torcer pelos seus jogadores, pelos jogadores do seu time. Ia ser o momento em que todos iam esquecer as intrigas para se unir ante uma causa única.
Esse seria o verdadeiro propósito de uma seleção, não?
Não, não. Acho que não. Eu que sou um grande sonhador: faz quase dez anos que o Brasil não joga no Maracanã (que, na minha humilde opinião, deveria ser tombado como patrimônio histórico da humanidade, uma das sete maravilhas do mundo).
Essa bola ainda vai rolar; este texto continua em breve.

2 comentários:

Eduardo disse...

O Palmeiras é um dos dois únicos times brasileiros a ceder jogadores à Seleção Brasileira em todas as cinco Copas do Mundo vencidas pelo Brasil.

Kibe disse...

Na Copa de 2010 é Obina e mais dez!