sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Morte e legado

Já ouviste falar em Casimiro de Abreu? Talvez na escola, naquelas aulas de interpretação de texto. Ele tem um poema muito famoso chamado "Meus oito anos", onde lamenta o tempo em que sua vida era apenas um pequeno mar de rosas.
"Oh! Que saudades que tenho/ da aurora da minha vida,/ da minha infância querida/ que os anos não trazem mais/ Que amor, que sonhos, que flores,/ naquelas tardes fagueiras,/ à sombra das bananeiras,/ debaixo dos laranjais".
Tudo muito bonito, muito poético, mas eu digo: hipócrita.
Morreu aos 21 anos, o canalha.

Já ouviste falar em Álvares de Azevedo? Talvez na escola, naquelas aulas de interpretação de texto. Ele tem um poema muito famoso chamado "O anjinho", onde lamenta a morte precoce de seu irmãozinho Manuel Inácio, como se isso fosse um prenúncio do próprio fim.
"Não chorem! lembro-me ainda/ Como a criança era linda/ No frescor da facezinha!/ Com seus lábios azulados,/ Com os seus olhos vidrados/ Como de morta andorinha".
Tudo muito bonito, muito poético, mas eu digo: hipócrita.
Morreu aos 21 anos, o canalha.

O que quero dizer com toda essa ladainha?
Minha hora pode estar próxima, e o que deixe para a humanidade além de um punhado de escarros e gás metano? Porcaria nenhuma.
Em tempo: Janis Joplin, Jimmy Hendrix e Jim Morrison morreram aos 27 anos. Noel Rosa, aos 26. Castro Alves, aos 24.
Você provavelmente já ouviu falar deles alguma vez na vida.

Um comentário:

Alexandre Fernandes disse...

Meu tempo aqui está se esgotando então!