terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

É melhor ser alegre que ser triste

Duílio era uma figurassa. Não tinha como ficar de mau humor perto dele, o sujeito fazia graça com tudo. Levava a vida numa boa e não se negava nenhum dos prazes da vida. Duílio não passava vontade. Pai de família sempre que podia levava a sua cara metade para as festas, bailes e afins.
Certo dia Duílio estava numa roda de amigos depois do trabalho e apareceu uma senhorita que agradava os olhares de todos. Os homens do bar ficavam hipnotizados com a beleza da beldade que passava entre as mesas. As mulheres procuravam algum defeito, sabe como é né! Ela encontrou um grupo de amigas que a aguardava numa mesa próxima.
Na mesa de Duílio e seus amigos a pauta da conversa foi a gata da mesa 8. Um dos colegas de Duílio o desafiou: Duvido que você passe um xaveco na gata! Sem deixar a peteca cair Duílio nosso herói , aceita o desafio. Duílio malandro que é, foi até a mesa das garotas e fez das suas. Contou uma piada, fez uma brincadeirinha aqui e outra acolá e conseguiu o telefone da garota pretendida.
Porém, sempre tem um porém, a garota ao sair do bar foi até a mesa de Duílio e seus amigos, aproximou-se e disse: Duílio meu lindo, por deixar para me ligar depois, vamos dar uma volta agoara mesmo! Ele responde na bucha: Só se for agora!
E fanfarrão que é fanfarrão não perde a oportunidade, e Duílio não deixou por menos. Levantou na mesma hora e falou para o amigo desafiante que pagasse a parte dele da conta. E saiu com o mulherio.
Foram para a casa da moça e sabe como é né. Como diria o ícone da MPB Mc Catra “o bagulho é sério/ vai rolar um adultério/ tara tatara taratara tatara taratara” . E rolou mesmo. Duílio era um cara hábil com as palavras e sempre arrumava as melhores desculpas para a sua esposa. No dia seguinte ele percebeu que a garota tinha passado um telefone que não era dela. (malandra não!?)
Mas a vida é uma caixinha de surpresas, certo dia Duílio teve um piripaque no trabalho e teve que ser internado. Eram os efeitos da boemia e farras aparecendo aos trinta e poucos. Teve que fazer exames e tals, ele estava na cama meio que dormindo e ouviu o médico comentar com a enfermeira que ele estava com AIDS.
Aquilo foi um tiro no coração do fuleiro, ele queria sumir. Lembrou-se da garota do bar e não se perdoou. Ele que sempre foi um ícone nas desculpas mais estroboscópicas (lembrei do strogonoficamente sensível hahaha), como ele iria avisar a esposa que estava contaminado. E que possivelmente ela também estaria contaminada.
Ao receber alta do hospital Duílio voltou para casa e notou que os médicos não disseram nada sobre o fato dele ser soropositivo, apenas ereceitou um caminhão de remédios e uma dieta. O que deixou Duílio boladão. Dias se pasaram e ele não copnsegui falar com a esposa e nem mesmo teve coragem de olhar para os exames. O de sangue então, quase enfartava só de pensar.
Eu já disse que a vida é uma caixinha de surpresas, pois então. Uma semana após a alta do hospital ele volta ao trabalho. Nem parecia o mesmo, tentava mas não conseguia fazer as piadas e brincadeiras de outrora. Até um dia resolveu ir falar com o médico que fez o seu tratamento hospitalar.
_ Doutor! Preciso que você me diga uma coisa, quanto tempo de vida eu tenho, se minha esposa vai sofrer muito, se existe cura para isso?
_ Cura não tem, mas se você seguir o tratamento corretamente pode viver normalmente, mas sem exageros.
_ Po Doutor, mas e aqueles remédios. É aquele tal coquetel que as pessoas soropositivas tomam?
_ Soropositivas!?
_ É doutor, que tem AIDS toma isso não toma?
_ Aqueles que estão infectados com o HIV sim, mas os diabéticos não.
_ Diabético!?
_ O que foi, vai dizer que você acha que o tratamento é o mesmo?
_ Sabe o que é doutor. É que quando eu estava no hospital, teve um dia que eu o ouvi dizendo para uma enfermeira que eu era aidético.
_ Não eu disse, diabético!
_ Uhuuuu eu sou diabético. Diabético hahahaha... Doutor salvou minha vida.
Fim

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Capítulo 01

E foi quando ela partiu, sem dizer uma palavra nem olhar para trás. Aquela tarde seca e ensolarada, típica do verão texano, ficou fria e cinzenta de repente. Não lembro o que foi que eu disse que a irritou, mas aquele momento, os ponteiros da igreja apontando 14h25, a barulhenta excursão de crianças a caminho do Museu de Arte Natural, a discussão do alemão da livraria com o bêbado dormindo no chão, tudo isso ficou gravado na minha mente. Nosso trem partiria dali a pouco, as 15 horas, e ainda decidíamos o que almoçar. Era sempre assim nas refeições: brigávamos por duas opções mas no final sempre pedíamos uma terceira, que, por acordo firmado na primeira ida juntos a um restaurante, nenhum dos dois podia gostar. Acho que a discussão estava entre steak beef ou crispy chicken, mesmo sabendo que acabaríamos comendo a tal germain saussage. Naquele dia fiquei parado no meio da calçada, esperando que ela voltasse. Ela ia voltar, sempre fazia aquilo.
O ano era 1978 e estávamos de férias no sul dos Estados Unidos. Férias é modo de dizer. Éramos dois desempregados cheios de idéias na cabeça e nenhum dinheiro no bolso. Só queríamos diversão e era somente o que conseguíamos. Apenas com a cara e a coragem, tínhamos passado por Forth Worth e Dallas. Compravamos as passagens com o dinheiro dos bicos em lava-carros, sex-shops e lanchonetes. De carona em um Ford F400 1966, o caminhão de Barry Bouani (ou Big Bear, como se apresentava), chegamos até a metade da Route 45. "BB" nos deixou na estação que, dizia ele, passava um trem velho em direção ao México, com parada nos arredores de Houston. Feito para imigrantes, custava meros 13 dólares. Clarissa e eu nos empolgamos com a possibilidade de mudar de ares. A sede do Condado de Harris tinha o maior aeroporto da região, e os 400 dólares que tínhamos guardados dava pra voar até Iowa ou Wisconsin.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Salve Nelson, o Rodrigues

Dias desses li um texto criticando sutilmente o escritor Nelson Rodrigues. Aquele, autor de nada menos que o clássico "A Vida Como Ela É". A "promotoria" – em algum jornal do interior do Paraná, talvez a Folha de Londrina – acusava Nelson de ser simplista, machista, pejorativo e inocente. Falava de seus contos como "um pouco tragicômicos, mas cheios de sexo, violência e traição", e ainda o chamava de pseudo-intelectual. De fato não era tão estudado, conforme descobri com menos de dois minutos de google, mas ninguém melhor do que ele para falar do cotidiano do brasileiro da época: o carioca.
Para essas minhas tão comentadas férias, fiz questão de comprar esse livro. "A Vida Como Ela É" é simplesmente fantástico! Contribuiu com 60% do meu processo de perda de identidade. Neson Rodrigues conta histórias que parecem ter sido tiradas das conversas com o velho tio Joel ou com o falecido Biso. São tão reais, palpáveis, que você parece interagir com cada personagem; chega a ter pena do mocinho traído e raiva do vilão coadjuvante. Nada melhor do que a realidade de terceiros para te fazer pensar melhor na sua.
Foi o que me fez cogitar que o tal "crítico literário" não consegue aceitar a realidade em que vive. Com o perdão do trocadilho, não consegue aceitar a vida como ela é. Cheia de sexo, intrigas, gambiarras, traições, paixões, malandragem, brigas, a vida é uma mistura de emoções. Nelson Rodrigues foi inocente o suficiente para transcrever com fidelidade o que acontecia a sua volta. Contava como um amigo pelo telefone o óbvio ululante que podia estar se passando no apartamento do lado, sem fantasiar, como tantos outros escritores realistas de seu tempo.
Amante do futebol, por um tragédia do destino torcedor do Fluminense (o Fla-Flu é o que é por causa dele e do seu irmão, o jornalista Mário Filho, agora Maracanã), dizia que "o mal da literatura brasileira é que nenhum escritor sabe bater um escanteio".
Ele sabia.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Tudo igual no ano-novo

Daqui a pouco é amanhã, e tudo volta a ser como era antes. O trabalho, a faculdade e os velhos textos melancólicos. Logo agora que eu tinha prometido me fingir de alegre o tempo todo e não só na companhia de outras pessoas.
Quando saí de férias, uma das propostas-para-mim-mesmo, aqueles juramentos que não podem nem devem ser quebrados, era usar o tempo que eu teria disponível para repensar a minha vida. Repensar o que eu tenho feito de interessante e o que ainda tenho por fazer. Eu esperava descobrir quem sou para ter idéia do que poderia vir a ser.
Pelo menos para poeta agora descobri que sirvo.
Logo eu, outrora sagaz, vindo de tão longe, preparado por tantas combinações, por tantos gestos extintos. Estou desaparecendo pouco a pouco, dando espaço para novas combinações e outros gestos. Outros ataques, réplicas, reviravoltas da sorte... Enfim, uma quantidade pequena de aventuras.
Estou emocionado, sinto meu corpo como uma máquina de precisão em repouso. Posso dizer que tive verdadeiras aventuras. Não recordo seus detalhes, mas percebo o encadeamento rigoroso das circunstâncias. Atravessei mares, deixei cidades para trás e subi rios, ou então me embrenhei em florestas, sempre me dirigindo a outras cidades. Tive mulheres, me meti em brigas; e nunca podia voltar atrás, como um disco que não pode girar ao contrário.
E tudo isso me leva aonde? A esse minuto, a essa cadeira, a essa bolha de claridade zoante de música.
Ando mentindo muito para mim mesmo. Minha vida nada tem de muito brilhante. Eu imaginava que em determinado momento da minha carreira na Terra poderia assumir uma qualidade rara e preciosa. Tenho vivido como um aposentado lobo dos mares, se mantendo firme graças as suas histórias. Quando toca alguma música nos lugares que frenquento, me transporto ao passado, evoco aventuras que de fato vivi, mas em outras épocas, em outras circunstâncias. Aventuras que não voltam mais.
As aventuras estão nos livros. Menti pra mim mesmo durante os últimos 19 anos. Tudo o que se conta nos livros pode acontecer realmente, mas nunca da mesma maneira.
Pobre de mim. E pobre de vocês, os que lêem essas coisas.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Revolta às aulas: barbaridade!

As férias acabaram com um saldo negativo, pelo menos para mim. Eu não consigo falar como antes, não consigo ler como antes. Definitivamente eu não consigo escrever como antes. Férias é bom, mas causa o emburrecimento da nação. Perdi toda a graça acumulada em 2006.
Aquele misto de sal e areia no olhos prejudicou minha visão. O excesso de cerveja na cabeça diluiu toda minha capacidade de entedimento das coisas. A mistura frenética de churros, milho verde, coco gelado e mais churros destruiu todo o meu aparelho digestivo. Realmente estou a ponto de ir pra vala.
O que mais me preocupa é que ganhei uma crise de identidade em janeiro. O tempo que fiquei somente com a minha família, sem contato com amigos boêmios e bagunceiros, me serviu para o "autoconhecimento de si mesmo", como disse o loura Grazi Massafera dias desses. As intermináveis horas que eu passava sozinho, seja lendo, jogando winning ou olhando para o teto, serviram para pensar na porcaria que eu estou me tornando. Não cheguei a conclusão nenhuma.
Agora, em Curitiba, de volta a 50% da vida normal, eu olho no espelho e não vejo nada. Sequer uma forma humana para ficar contamplando e procurando cravos. Já não sou mais aquele que conhecia e não sei o que virá depois. Medo! Meu irmão e minha mãe dizem que é a barba, não sei.
Enfim, feliz 2007; ele está chegando. É logo ali, depois do carnaval.

domingo, 14 de janeiro de 2007

Aguardem

Apesar de ainda estar sob os efeitos da ressaca das festas "natalísticas".
Vaos dar seguimento ao 'DoisCopos'.
Aguardem...

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Infidelidade

O Silva (não é parente) deu um desfalque na firma e quando ligou para casa já estava em Orlando, na Flórida. Anunciou que tudo estava bem e que a Dulce da contabilidade estava com ele. Dali a pouco eles entrariam na fila do Space Mountain. A mulher Rosalva começou a chorar e Silva disse:
- Ô boba, não tem perigo nenhum!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Qual é a música

Outro dia depois de uma festa, ainda de ressaca tive que limpar a parada (salão). Então fui eu com balde, vassoura e sacos de lixo para o batente. Kibe o Gari! Muitas latas de cerveja, garrafas vazias, copos sujos, cacos pelos cantos e uma moedinha de cinqüenta centados. Comecei a separar os pertences da galera, tipo um achados e perdidos manja!? E sobrou um CD que não tinha dono e uma garrafa e meia de 51. Coloquei no barato para ver que tinha nele, mas não tinha nada gravado nele. Na hora pensei em que musicas colocar nele.

“Eu fico pelado no quarto vendo a sua foto...” Wander Wildner

Ta bom, ta bom! Não fico pelado, mas eu costumo olhar a sua foto nos meus momentos solitários que eu fico sozinho comigo mesmo. Olho mesmo, por quê vai encarar!?

“Não vou me adaptar” Nando Reis

Camaleão só aquele inimigo do Homem-Aranha que apanhou da Mary Jane. Que otário!

“ Eu que já não quero mais, ser um vencedor. Junto as mãos ao meu redor. Faço o melhor que sou capaz...” Los Hermanos

Querer ser o melhor é cansativo, só irei pensar ser o melhor, quando isso realmente importar para mim mesmo. Vou ser eu mesmo. O melhor eu possível. Sem culpa menhuma!

“Apesar de você. Amanhã há de ser outro dia” Chico Buarque

Não há mal que sempre dure, nem bem que nuca acabe. E é vida que segue.

Alguém tem alguma outra sugestão?

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Não apague a luz

Não, não se vá! Como vai ser minha vida sem você? Sem você o meu sorriso não funciona mais.
De que valeram todas aquelas noites sem dormir? E todos aqueles telefonemas? Será que de nada valeram? Você vai me deixar assim, de repente... sem aviso! Simplesmente acabou, tchau, fui?
Eu quero você, será que não entende? Eu preciso de você! Para onde mais eu vou correr quando a noite estiver vazia e cinzenta? Preciso de você aqui, me envolvendo. Só com você eu sou feliz. Sem você meu sorriso não funciona mais.
Preciso de você para poder apreciar a lua. Preciso de você para poder escutar boas músicas. Preciso de você para ter conversas inteligentes sobre o universo, a política ou sobre nada.
Ao seu lado eu fazia serenatas. Ao seu lado eu fazia recitais. Ao seu lado eu fazia tudo, ou não fazia nada. Pouco importa. O tempo bom que estivemos juntos não pode acabar. Todo aqueles jantares, aqueles saraus, aquelas dançatas. Volta. Estou sozinho precisando de você.
Barroca, sem você meu sorriso não funciona mais.
E tenho dito.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Saudosa Barroca

Dia 01 de dezembro de 2006, Saddam Hussein está com um plano de fuga armado, quando esta tudo pronto para aganhar a liberdade chega um telegrama. Ele lê atentamente, olha para o guarda que o ajudaria na fuga, faz uma cara de desconsolo e volta para sua cama. Perguntado sobre o que tinha no telegrama, Saddam só olha fixamente para o guarda sem dizer nada e deita em sua cama e parece mergulhar em pensamentos.

Dia 01 de dezembro de 2006, o líder da autoridade Palestina e o primeiro ministro de Israel se reunem para selar um acordo de paz. Há anos o mundo esperava por esse momento, um dos conflitos mais sangrentos do Oriente Médio está com os dias contados. Quando de repente assessores dos dois chefes de Estado educadamente entram, cochicham ao pé do ouvido com cada um deles. O palestino e o israelita juntos dizem que a reunião deveria ser adianda. Todos ficaram se perguntando o que estava acontecendo, o que os assessores disseram a eles.

Dia 01 de dezembro de 2006, cientistas prestes a estabilizar um novo combustível que substituirá o petróleo e ainda não poluiria o meio ambiente. É uma operação delicada os cientistas etão exaustos e concentrtados. Qualquer distração pode acabar com o trabalho de anos. Segundo fontes confiáveis do mundo científico em caso de falha, o projeto não poderá ser reiniciado, seria necessário outra pesquisa começando tudo do zero. O Dr. Spirolaw*, químico responsável pela pesquisa recebe um comunicado em seu ‘bip’. Depois de ler a mensagem Spirolaw da um soco na mesa, acabando com todo o projeto que mudaria o mundo paraa sempre. Claramente abatido psicologicamente depois do que ficou sabendo sai sem dar explicações sobre o conteúdo da mensagem.

Dia 01 de dezembro de 2006, o motivo de todo esses acontecimentos está em Curitiba. No bairro Campina do Siqueira em frente ‘Aquela Casa na Esquina’, pertinho da Pegeout o ‘bar e lanches’ mais legal do Brasil nos da uma triste notícia:
O Barroca vai fechar!


*Também não tenho idéia de quem seja o Dr. Spirolaw!

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Marrom Glacê

Outro dia eu pilotava minha magrela pelas ruas da vila de Santa Ifigênia, na Barreirinha. Lá ainda mora minha vó, e foi onde passei toda minha saudosa e querida infância. Aquelas quadras bem desenhadas e suas ruas esburacadas, entretanto paralelas bem definidas – comum a todos os loteamentos da Cohab –, são um convite ao passei de carro. Você se sente como num jogo de video game, num mapa de batalha naval: A-1: água! C-7: couraçado.
Eis que vejo, numa das tantas ruas com sobrenome Geronazzo, um senhor andarilho. Um velho bem velhinho, já corcunda, coitado. Ele estava sujo e visivelmente fedido. Parecia acabado, exausto, mas não parava com suas andanças. Usava um chapéu marrom à la Ventania, uma calça djeãns surrada (marrom) e um chinelo de pneu . A camiseta estava tão suja e velha que parecia marrom. A pele dele era marrom. Os cabelos marrons. Era tão melancólico que sua alma, com certeza, era marrom.
Pensei em conversar com ele, mas não é muito bom abordar transeuntes introspectivos – muitos deles encontraram o sentido da vida, a verdade absoluta, e enlouqueceram (ou desenlouqueceram, sei lá). Ele andava com o olhar fixo no chão, como que se guiando apenas pelas linhas das bordas das ruas. Nada o fazia parar ou desviar sua atenção. Nem os carros que passavam buzinando, nem os ciclistas que invariavelmente o xingavam por não sair da frente. Quando ele passava por pedestres, estes o olhavam com cara de desdém, até um certo nojo. Parecia bêbado, mas de fato estava muito fedido.
Numa subida, o velho dobrou o corpo de tal forma que parecia querer beijar o chão. Se equilibrou e seguiu em direção ao topo. Eu, veloz e atleta que sou, dei um gás para esperá-lo lá em cima. Com a bike devidamente estacionada e duas garrafinhas de água depois, vinha chegando meu amigo transeunte. Estava eu agora decidido a abordá-lo, perguntar quem era e se precisava de alguma ajuda. Já esperava que ele me pedisse dinheiro para uma passagem de volta, ou de ida, pra algum lugar. Ou mesmo uma moeda pra pinguinha.
Mas nem deu tempo. A uns 50 metros de mim tinha uma escola e, naquele exato instante em que o velho se aproximava, foi dado o sinal de fim da aula. Depois daquela dispersão das crianças, ficaram os, hã, jovens do ensino médio naquele conversê pós-aula. Uns deles, malandrões, se juntaram para, com certeza, zoar com o moribundo. De repente o velho parou, estacou, pa-ra-li-sou de fronte ao colégio. Examinou cada janela, cada porta, cada graminha. Parecia um louco tendo uma crise de excentricidade. A piazada até desistiu da zoação e foram todos embora.
A rua esvaziou. Ficamos só nós, eu e o transeunte (ainda olhando para a fachada da escola), naquela imensa ladeira agora deserta. Decidi que chegara a hora de puxar um papo. Quando cheguei perto, o velho se virou e me olhou como fizera com a escola. Examinou cada parte do meu corpo, cada ruga da minha testa. Fiquei sem ação, assustado. Até que ele tirou a mochila, marrom, das costas e se pôs a procurar algo. Juro que nessa hora pensei em fugir, mas ele tinha serenidade no rosto. Um quê de necessidade.
Tirou uma foto velha, amarelada e com as bordas comidas pelo tempo. Me esticou com a mão tremendo, ansiosa. Olhando para aquela figura, de pronto reconheci a escola. Aquela, ali, na nossa frente. Era um foto daquelas de formatura. A gurizada pulando uma sobre as outras, sorrindo por terminar o colegial. O velho me apontou um rapaz franzino, no canto, com seus 30 e poucos anos e sendo ovacionado pelos alunos. De óculos e pasta na mão, definitivamente era o professor, e aquele mais querido pela turma. Então ele apontou para o peito. Apontava o peito e a foto como quem diz: "este sou eu".
Ele pegou a foto de volta e guardou na mochila. Botou ela nas costas e se virou, cambaleando. Saiu andando mais cabisbaixo do que quando chegou. Muito mais bêbado. Muito mais marrom.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

E o Coletivo levou

Sempre que posso, dou uma olhadinha inocente pela janela para me apaixonar. Normalmente aparece alguma candidata a amor platônico do Kibe, elas costumam aparecer no prédio da frente, na sala do lado, algumas até aqui no trabalho mesmo e a grande maioria dentro do coletivo. Hoje foi diferente, ela estava longe mal conseguia ver o rosto dela. Também ela na rua lá em baixo e eu logo ali, treze andares acima. Mas com meu olhar perdigueiro avistei a moça e pensei: Háááá é essa. (sempre é!)

Cabelo comprido meio ruivo acastanhado, ou algo parecido, vestido marrom claro e um jeitinho que me fez não ver mais ninguém que passava pela rua. Ela segurava uma pasta e plástico em uma mão e na outra um guarda-chuva (Curitiba é uma ‘beleza’), parecia que estava esperando alguém (marido, colega de trabalho, chefe, irmão, mãe, sogra ou sei lá quem). A cada carro que dava seta para a direita, achava que iria pega-la. Mas os carros passavam e nenhum era o que ela esperava.

A ruiva acastanhada dava uma voltinhas em torno dela mesma, demonstrando certa impaciência. Fazia isso com um jeito tão delicado, como se fosse para mim. Nesse momento achei que ela dava aquelas voltinhas para mim mesmo. Minha cabeça é meio doida. Comecei a criar uns dialogos, como se eu estivesse lá com ela.

_Oi!
_Oi!
_Calor né!?


Mas não comecegui pensar em nada interessante. Um coletivo azul da OAB para ela entra, vai embora e nem mais uma voltinha daquelas. Saio da janela cinco minutos depois nem lembro direito de como começou isso. Mais tarde fico pensando qual será a próxima vítima do meu olhar perdigueiro.

Constelação

Eis que surge uma estrela no céu.
Não uma estrela qualquer, como todas as outras. Uma estrela especial.
De tão especial, ela brilha o dia inteiro; faça chuva, faça sol.
E de noite brilha. Bem mais do que as outras.
Você quer dormir, ela não deixa: está sempre acesa, incomoda os olhos.
Durante o dia lá está ela, pairando sua cabeça. Aquela sensação de estar sendo vigiado.
O dia todo a lhe acompanhar.
Não quer mais gostar dela. Ela é irritante!
Mas como?
Beleza igual nunca se viu. Tem uma ubíquidade ao mesmo tempo assustadora e reconfortante.
Já está acostumado com sua luz.
Precisa viver sem ela, mas não quer.
Quer viver sem ela, mas não pode.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Páginas da Vida

Aquele dia eu devia ter entrado à direita. Ou à esquerda. Mas estava tão cansado que acabei indo reto. Imagina ter que dar a seta e ainda virar todo o volante. Era três da madrugada, não tinha mais pique. Na verdade eu pensava que por lá também dava, que também eu ia chegar em casa. De fato cheguei, mas como demorou.
Já no começo fiquei impressionado. Nunca tinha percebido aquela rua por estas bandas. Quantos neons, quanto colorido. As pessoas davam risadas altas e o clima era de festa. Até me animei para dar uma esticadinha na noite. Parei o carro na primeira vaga disponível. Afobado , eu.
O cara já chegou pedindo "cincão pra dar uma olhadinha". Empolgado, dei; afinal a noite ia acabar muito bem, diferente de como começou. Eu já ouvia os batuques, os acordes, a gritaria. Visualizava tudo aquilo, imaginava como ia ser bom. Esqueceria das preocupações e ia apenas dar risadas. Ah... que sabor! Quanta euforia.
Entrei na primeira fila que me apareceu. Já comecei a dançar, beber, conversar. As pessoas eram simpáticas, a bebida gelada. Música boa, clima ideal. Tudo muito perfeito para ser verdade. Aí que tá: fui confundido, com certeza, com algum encrenqueiro que vivia por lá. Me escorraçaram e que eu nunca mais voltasse! Saí da fila totalmente atordoado.
Peguei o carro e segui meu caminho. Segui pela mesma rua. Devia ter feito meia volta e ido pelo caminho certo, mas não tinha nem organizado as idéias ainda. Eis que me surge outra chance, mais uma esperança. Vaga, "cincão", fila. Agora ia dar certo. Era mais uma tentativa, e agora tudo parecia tão mais organizado, tão mais favorável. Mas não. O encrenqueiro devia ser muito assíduo por ali – e deveras parecido comigo. Saí chutado, mais uma vez.
Agora cá estou, nas lamúrias de uma noite mal sucedida. Uma noite que parece não ter mais fim. Que insiste em voltar ao meu pensamento a cada fechar de olhos. Que ao mesmo tempo foi tão boa e tão ruim para minha pessoa. Foi passageira, cara, desgastante. Inesquecível. O pior é que fica perto de casa: vejo as luzes da janela do meu quarto; fecho os olhos e ouço a música; concentrando até lembro do cheiro. Inesquecível.
E tenho dito.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Anarco-punk Psicodélico

Hoje acordei meio anarquista.
Sonhando com um mundo onde todas as pessoas seriam felizes fazendo o que querem, do jeito que querem.
Onde tudo é de todos e, bem, todos podem tudo.
Uma terra sem leis, sem governo, sem impostos, sem bandidos.
Aquela velha e boa utopia.
Mas esse meu sonho é um sonho de sonhador. Maluco que sou, tive de formular conjecturas.
Confesso que fiquei assustado.
E desisti.
Imagina esse mundo. Todos podem fazer o que quiser.
Tá certo que o que é proibido é mais gostoso - e lá nada seria proibido -, mas não se pode dar liberdade assim pro ser humano.
Coitadas das florestas e dos rios. Aquelas devastadas; estes, poluídos.
E quem trabalharia?
Eu que não.
E os caras pegadores? Numa terra sem leis, todas as morenas mais belas seriam deles.
Uh!
Anarquia seria lindo se assim fosse desde o começo. Desde o primeiro macaco evoluído (?).
Ainda é melhor sonhar com um mundo politizado reformado do que um mundo livre.
Um mundo livre s/a.
E tenho dito.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

O segredo da vida

Nada mais enfadonho do que conversar com um cara certinho, politicamente correto. Daqueles que nunca passaram um trote ou fingiram febre para matar aula. Essa pessoas não têm segredos. São mapeáveis, previsíveis. São como ônibus novos, que acabaram de entrar na linha. No começo são legais, mas com o tempo ficam infinitamente entediantes como todos os antigos. Não há nada a aprender com quem nunca se arriscou.
Todos precisam de segredos. Aquelas pessoas extremamente educadas ou forçadamente simpáticas não são encantadoras. Só a imprevisibilidade é capaz de cativar. O que faz nascer um certo feitiço é justamente a falta de obviedade. Quando se sai para velejar, espera-se algumas ondas. Mar muito calmo só serve para dormir.
A curiosidade é natural do ser humano. Ter tudo de mão beijada perde a graça, facilita as coisas. Amamos o desconhecido de um jeito tão fascinante quanto arriscado - por isso anda-se de kart, escala-se montanhas, faz-se excursão para a Namíbia, come-se fora de casa. São tentativas de conhecer novos temperos que despertem o paladar. Tentativas de atingir aquele ponto na mente até então adormecido.
A atração pelo desconhecido nos faz buscar o indomável. Ninguém quer a garotinha que se entrega totalmente logo de início. O bom mesmo é aquela mulher secreta, fechada, que "nunca te dará bola". Elas fazem com que a imaginação vá às alturas nas suposições das respostas para os seus segredos. Taí o porque Paola Oliveira é apenas mais um esquecível rostinho lindo e Juliana Paes segue como uma semideusa conturbada (e conturbante).
Ter segredos é o efeito de viver intensamente. Tenha saldo negativo um dia. Paquere a moça do caixa. Xingue o bandeirinha deliberadamente - xaveque se for a Márcia Regina. Viva a vida. Se arrisque, porque quem não arrisca não vive. O tempo é sagrado e usufrua dele com paixão. Apenas caminhe lentamente sobre os dias, sem deixar pegadas, rumo à noite, à morte. Morte, esta, que talvez seja o segredo desta vida.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Provocações

Entram perfilados lado a lado as seleções de Inglaterra e Nigéria, quando os jogadores posam para o hino nacional de cada país o narrador com forte sotaque japonês vai falando o nome de cada jogador que aparece no vídeo. No sofá dois grandes amigos cada um com seu controle na mão repete junto co narrador japonês o nome de seus comandados.
Eles se intitulam técnicos das seleções e falam com os jogadores como se realmente pudessem ser ouvidos e mais ainda, que ao ouvirem os jogadores poderiam ser movidos sem o auxilio do controle.
A primeira allfinetada vem do técnico “nigeriano”: -Hummmm esse Seaman, não sei não hein, com esse bigodinho e o rabinho de cavalo. – e cai na risada depois de terminar seu comentário. O técnico “inglês” faz pouco caso e faz de conta que não ouviu.
Começa o jogo a saída de bola é dos ingleses. Beckham adiantado no ataque e Owen dão os primiros toques na bola.
A saída de bola inglesa é manjada, Beckham toca para Owen que rola para Gerrard que vai até a lateral esquerda e lança Owen na corrida. Dito e feito a bola chega ao ataque inglês sem que os nigerianos toquem na bola. O goleiro Hufai sai na bola e Owen toca na saida do goleiro. 1x 0 Inglaterra, um cara ai, o técnico ”inglês” lança sua primeira piadinha contra os nigerianos.
“Nossa acho que eles não comeram nada antes do jogo, talvez já faça algum tempo que eles não comem. Não agüentam nem correr! Sem falar que eles viajaram de jangada até chegar aqui!” cutuca (no bom sentido) o “inglês.
Apesar do jogo ter começado com gol no primeiro lance, o primeiro tempo termina um a zero mesmo.
O técnico “inglês” provoca durante o intervalo para o segundo tempo.“Ééééé amigo a seleção inglesa domina o adversário, os nigerianos por algum motivo não conseguem fazer uma jogada dedente. E qual seria o motivo falat de vitaminas, fome ou o casaço pela viajem de jangada da África à Europa???” comenta o irônico técnico.
Começa a segunda etapa, o time nigeriano faz duas alterações e muda de esquema tático. Enquanto o time inglês é o mesmo que terminou o primeiro tempo.
Aos quinze do segundo tempo, alegria em verde e branco. O atacante Kanu aproveita o vacilo de Ferdinand e toca tranqüilo para o fundo do gol de David Seaman. O técnico “nigeriano” solta a lingüa e larga o verbo. “Toma bando de playboy, Kanuuuuuuuu! Golaço-aço-aço... mas que golaço. Seaman e seu bigodinho nem viram a cor da bola hahahaha...”
O jogo segue tenso chances dos dois lados, o técnico “inglês” parece mais concentrado, já o “nigeriano” é só sorriso e vai falando.
“Uhhhhhhhhh por cima do gol! Kanu quase que vira a partida. A Nigéria vai pondo a inglaterra na roda...” alfinetava o nigeriano, que a essa altura já conseguia irritar seu adversário. O jogo fica violento, Paul Scholles é expulso após uma seqüência de carrinhos maldosos, na tentativa de tirar os atacantes nigerianos do jogo.
E segue a provocação do treinador “nigeriano”. “Quareeeeeeeeenta minutos do segundo tempo. Será que teremos prorrogação!? Só da Nigéria no jogo, é uma injustiça o esse placar.” O técnico inglês retruca. “Mas como fala o Falastrão técnico da Malásia (como costumava chamar a Nigéria propositalmente)” o treinador da Nigéria sentiu o golpe, ele não imaginava que com uma frase seu amigo poderia desfazer a pressão psicológica que ele tentava impor.
Porém após um escanteio mal cobrado, Gerrard rouba a bola na entrada da área inglesa passa por um nigeriano e antes que outro chegue perto ele lança Owen que entra sozinho e faz o segundo gol inglês e decreta a vitória inglesa. O troco das provocações do treinador inglês vem logo após o apito final. “Triunfa a Nobreza! Deu a lógica! O futebol sério venceu. O time da Malásia volta desolado e ainda com fome.” Esbraveja o “inglês”.
O sarro final foi o que viria com o tempo ser o tradicional canto da vitória dos ingleses sobre a ‘Malásia’. “Volta de jangada Ô Ôôôô!!! Volta de jangada Ô Ôôôô!!!”

*Eu até acho que seria ético eu escrever de um jogo que eu não ganhei também. Mas para o bem do meu ego eu deixei para depois.

**Deicado aos meus amigos Joel (‘ex-Malasiano’ atualmente Holandês) e Rodrigo (treinador “argentino” e do resto do mundo), relembrando os clássicos mais emocionantes dedes o Campeonato japonês do Playstation até os WinningEleven recentes.

Para ler ouvindo 'o telefone tocou novamente'

Ela:Alô!
Um cara ai: Oi tudo bem?
Ela: Quem está falando?
Um cara ai: Sou eu.
Ela: Ahhhh! Nossa nem tinha reconhecido a sua voz.
Um cara ai: Hehe...
Ela: Eu estava saindo do banho. E ai como vai?
Um cara ai: Ah eu to bem, e você?
Ela: Bem também.
Um cara ai: Eu preciso de uma coisa.
Ela: Ah é.
Um cara ai: É sim.
Ela: Pode falar.
Um cara ai: Lembra quando você falava de um cara que era pior que o Hitler!?
Ela: O Eichmann!?
Um cara ai: É! Esse mesmo.
Ela: Que tem ele.
Um cara ai: É que eu vou fazer uma prova e preciso saber como se escreve Eichmann.
Ela:Ah espera ai....
Um cara ai: Certo.
Ela: Hummm, eu teria que ver no meu caderno do ano passado.
Um cara ai: Não precisa se incomodar. Eu dou um jeito.
Ela:Não não espere. Eu acho aqui.
Um cara ai: Melhor não. Eu não quero te incomodar.
Ela: Sério?
Um cara ai: Sério!
Ela: Ah então tá!
Um cara ai: É... Obrigado. Não esquente. Eu me viro aqui.
Ela:Tudo bem, mas qualquer coisa me ligue.
Um cara ai: Pode deixar. Eu ligo
*desligo o telefone.

Burro, burro, burro, mas muito burro...eu queria falar um pouco mais com ela. Queria contar como realmente estão as coisas. Perguntar como vão as coisas dela, saber o que ela tem feito sei lá qualquer coisa. Queria ter falado mais com ela.
É por isso que eu digo: Não passe vontade!

Ps: Escrevi aqui no post ‘Eichmann’ depois que encontrei por acaso o nome do distinto senhor que era o responsável pela logística do extermínio de pessoas durante o Holocausto.

Manual de sobrevivência

E se você fosse jogado numa ilha deserta? Pra ficar uns quinze dias, tipo reality show. Eles te dariam o direito de escolher apenas um objeto a lhe acompanhar. Um só e não adianta chorar. Nada de escolher algo coletivo ou multi-uso. O que você levaria? Supondo, claro, que as regras do jogo são: sobreviva quinze dias e ganhe um milhão de dólares (mais convites para os inúmeros eventos da noite carioca, uma semana no castelo de Caras e capa de Playboy e/ou G Magazine).
Há os aventureiros que escolheriam um canivete. Escoteiros e marinheiros prefeririam uma corda. Os caras das forças armadas iriam com suas Ar-15. Homer Simpson com sua televisão (porque uma cerveja Duff só ia ser pouco). A socialite gostaria do seu celular, ou talvez o seu gatinho persa. Se pá, o playboy partiria com sua prancha de surf para abalar com as minas. Tem até o piadista que diria: me mandem um bombril, com suas mil e uma utilidades. Tudo besteira.
Ela é a única coisa no mundo que você pode polir, lixar, cortar, furar, raspar, comer, cavar, refletir, conduzir eletrecidade, brincar, matar, beber, se proteger e fazer fogo sendo uma pessoa normal. Se você for MacGyver, Jack Bauer, Batman e afins, a lista de utilidades tende ao infinito. Agora pasmem: este objeto não está a venda no Polishop. Pelo menos eu nunca vi. E desta vez não é uma daquelas mensagens de pseudo-auto-ajuda que eu andei escrevendo. Vou ser duro e direto (ui): eu levaria uma colher.
Colher de sopa.
E tenho dito.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Breves elucidações de uma mente (já) sem esperança

Quer ser feliz? Não seja como eu.
Não que eu seja totalmente triste, mas é que não sou feliz o suficiente. Pelo menos não tanto quanto gostaria.
Quando você tiver problemas, conte pra alguém. Eleja um e conte tudo. Desde aquela cola na faculdade até a dívida de 200 pratas. Eu não faço isso.
Quando tiver uma paixão, qualquer uma, fale pra ela. Conte pra todo mundo. Ponha no jornal. Não vai fazer diferença se você falar agora ou amanhã.
Sorria, dê risada. Mas não ria de tudo, para não passar por bobo. Ou ria de tudo e seja um bobo feliz. E leia os livros de auto ajuda: eles são mais engraçados do que o Zorra Total.
Abrace sua mãe, seu tio, seu cachorro. Abrace você mesmo se sentir vontade.
Siga meus conselhos. Fazer o contrário de mim deve ser a fórmula certa da felicidade.
Odeio aqueles dias em que a verdade vem à tona.
E tenho dito.